Quando alguém menciona “Wagyu A5”, está a referir-se ao topo absoluto da classificação japonesa de carne bovina — um produto que representa décadas de selecção genética, criação meticulosa e protocolos rigorosos. Mas o que significam exactamente estas letras e números? E qual a diferença prática entre um A2 e um A5 no prato? Este artigo desmistifica o sistema de classificação Wagyu com clareza.
O sistema de classificação japonês
O Japão tem um dos sistemas de classificação de carne bovina mais rigorosos do mundo, gerido pela Japan Meat Grading Association (JMGA). A classificação divide-se em dois componentes independentes:
Letra: Rendimento (Yield Grade)
A letra — A, B ou C — indica o rendimento do animal, ou seja, a proporção de carne aproveitável em relação ao peso total do animal:
- A: rendimento superior a 72%. O máximo.
- B: rendimento entre 69% e 72%.
- C: rendimento inferior a 69%.
A grande maioria do Wagyu japonês de qualidade é classificado como A. Esta letra tem pouco impacto na experiência do consumidor — é mais relevante para o produtor e para o talho.
Número: Qualidade da Carne (Meat Quality Grade)
O número — de 1 a 5 — é o que verdadeiramente interessa ao consumidor. Avalia quatro critérios:
- Marmoreado (Beef Marbling Standard, BMS): numa escala de 1 a 12, o nível de gordura intramuscular. Um A5 tem BMS de 8 a 12.
- Cor e brilho da carne: avaliados visualmente numa escala de 1 a 7.
- Firmeza e textura: avaliados em 5 graus.
- Cor e qualidade da gordura: avaliados em 5 graus.
A nota final é sempre a mais baixa dos quatro critérios — o que significa que para atingir o grau 5, o animal tem de ser excelente em todos os parâmetros, sem excepção. Um BMS 12 com cor de carne abaixo do esperado não é A5.
O que significa cada grau na prática
A2 — Ponto de entrada
BMS 1-3. Uma melhoria clara face à carne bovina convencional, com marmoreado visível mas ainda modesto. A textura é mais macia e o sabor mais rico do que num bovino standard. É um bom produto — mas não tem os atributos que definem a experiência Wagyu no seu máximo.
A3 — Qualidade notável
BMS 4-5. Aqui o marmoreado começa a ser claramente visível e a fazer-se sentir na textura e no sabor. A carne tem suculência e complexidade acima do comum. Para quem experimenta Wagyu pela primeira vez, o A3 é uma introdução honesta ao que esta categoria tem de especial.
A4 — Excelência
BMS 6-7. O marmoreado é abundante e claramente perceptível na aparência da carne crua. A textura é notavelmente diferente de qualquer outra carne — mais sedosa, com uma dissolução da gordura na boca que começa antes da mastigação. O sabor tem profundidade e complexidade que distinguem claramente o A4 de tudo o que ficou abaixo.
A5 — O topo absoluto
BMS 8-12. A carne parece, literalmente, mais gordura do que músculo — as veias brancas de gordura intramuscular dominam o visual da peça. Ao toque, a gordura começa a derreter à temperatura da mão. Na boca, a textura é amanteigada e a dissolução é quase instantânea. O sabor é umami profundo, com notas adocicadas e uma persistência que continua minutos depois de engolir.
O A5 é o produto que justifica a fama mundial do Wagyu japonês. É também o mais caro — e com razão. Produzir um animal Wagyu A5 exige entre 28 e 30 meses de criação intensiva, com custos que não têm paralelo em nenhuma outra raça bovina.
Wagyu japonês vs Wagyu australiano: como se comparam?
A Austrália usa a sua própria escala — o Marbling Score (MS) da Meat Standards Australia, de 0 a 9+. Um MS9 australiano corresponde aproximadamente a um BMS 7-8 japonês. Os melhores produtores australianos, como Stone Axe, Rangers Valley ou Mayura Station, produzem Wagyu de MS8 e MS9 que rivaliza com o A4 japonês — a uma fracção do preço.
Quanto custa o Wagyu em Portugal?
O Wagyu japonês certificado A5 é um dos produtos alimentares mais caros do mundo. Em Portugal, os preços em restaurante variam entre 80 e 200 euros por 100 gramas para o Wagyu japonês A5. O Wagyu australiano premium é significativamente mais acessível — entre 20 e 60 euros por 100 gramas, dependendo do grau e do corte.
No 100 Cerimónias Steakhouse, na Rua de Santo Ildefonso, 210, no Porto, o Wagyu é seleccionado por grau e origem, com transparência sobre o produto servido. A equipa explica as diferenças e ajuda a escolher o grau adequado para a ocasião e para o orçamento.
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